O século XX foi um período histórico marcado por grandes embates ideológicos, no qual o mundo viveu a tensão da Guerra Fria e ficou dividido entre capitalistas e socialistas que eram vistos como o bem e o mal, como nas fábulas e histórias infantis. Todo país capitalista, sendo ele democrático ou ditatorial possuía uma ala política voltada para o socialismo ou o comunismo (ou ambos), assim como haviam idealistas do capital nos países sob o regime socialista. Em vários deles, a exemplo do Brasil, os partidos de ideologia oposta ao governo eram colocados na ilegalidade e seus integrantes perseguidos. Os cabeças do capitalismo e do comunismo eram, respectivamente, Estados Unidos e União Soviética. Nesse período cada um pintava o inimigo da forma mais macabra e demoníaca possível. Os EUA chegaram a financiar diversas ditaduras na América para evitar que comunistas ascendessem ao poder, assim como a URSS mantinha e supria os países socialistas como forma de mostrar o poder do Estado soviético. Conflitos e estratégias à parte, a propaganda negativa no Brasil era tão forte (e não digo que não o fosse em outros países, mas quero tratar especialmente do Brasil), que alcançou um patamar maniqueísta tal que as pessoas chegaram a acreditar que os comunistas fossem canibais comedores de crianças e que tudo nesse regime era de uso comum, até as escovas de dentes e por isso o comunismo era mau e devia ser combatido até o último fôlego.
Todavia, em dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev, então líder soviético, anuncia o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, declarando, por conseguinte (e subentendidamente) a vitória da união capitalista. Pois bem, desde esse dia, os governos alinhados ao capitalismo tem combatido a volta do socialismo e já no século contemporâneo muito se tem discutido de sua viabilidade real. Do socialismo (e do comunismo) restaram apenas traços ínfimos, em partidos pequenos que clamam por voz, mas são suprimidos cada vez mais, não só pelo governo, que não quer que a liderança do Brasil seja entregue a um grupo contrário à ordem e o sistema internacional e pela população, que muitas vezes manipulada e outras por ignorância mesmo, rejeita um ideal socialista. Então, o que fazer? Perguntam-se os partidos socialistas. Alguns continuam na militância insistente e velada, com gritos abafados de desespero e de um idealismo que já não tem tanto lugar no nosso país, tendo que se render a coalizões com partidos maiores para que consiga ter um mínimo de influência no governo, outros recorrem à velha máxima "se não pode vencê-los, junte-se a eles".
Os primeiros, não chegaram e não chegarão (perdoem-me o determinismo) ao poder. O máximo que conseguem é eleger uns poucos deputados estaduais e federais que não possuem força própria e nem de articulação para tentar uma reforma política, isso quando esses representantes são realmente engajados com a ideologia, e não desejam apenas a promoção própria, ou estão de alguma forma infiltrados para servir corporações. Os segundos chegam ao governo, como é o caso atual, mas para isso se descaracterizam totalmente, abandonando as velhas bandeiras e buscando apoio junto aos próprios empresários (que seriam os maiores vilões do socialismo) para conseguir se elevar ao poder. O PT, que nasceu no seio sindical, e defendia em seu programa original de 1980 que "as correntes social-democratas não apresentam, hoje, nenhuma perspectiva real de superação histórica do capitalismo imperialista" hoje trabalha ao lado de potências e candidatos a potências "capitalistas imperialistas" (sendo até mesmo um desses candidatos), negociando vantagens para que empresas estrangeiras se assentem no país, abandonando de todo a velha ideologia revolucionária ou mesmo reformista em prol do poder. É fato que o o governo "de esquerda" do Brasil estreitou ligações com alguns países de tendência socialista como a Venezuela de Hugo Cháves, é fato também que com o intuito apenas de fortalecer a América Latina e o Mercosul, frente ao imperialismo norte-americano, configurando, nada mais da menos, ao contrário do que podem inferir alguns, um mero conflito de interesses por autonomia e liderança mundial.
Muitos dos projetos sociais do governo atual são iniciativas do governo anterior, e quando digo anterior quero remeter a FHC, porém àquela época eram deveras tímidos. Hoje o que se tem é um alardeamento sobre estes projetos para manter esse grupo no poder, contudo, de socialista não há nada nessas medidas. São medidas que aumentam a quantidade de pessoas com poder aquisitivo no país, ou seja: aumentam os consumidores. É só isso. Tirar as pessoas da miséria e inseri-las no contexto do consumismo. Se você que lê está pensando que isto é bom para o país, saiba que eu também acho o mesmo. O que acontece é que a verdadeira face das intenções do governo deve vir a tona, como faço um esforço para trazer agora. De "esquerda" esse governo nosso não tem nada, aliás direita e esquerda hoje só existem mesmo nos papéis, é um conceito ultrapassado. Não critiquei o governo em si, que ressalte-se tem demostrado muita virtude maquiavélica para gerir a máquina pública, critiquei a conjuntura política que abandonando as ideologias, continua insistindo na falácia da defesa da existência de direita liberal e esquerda socialista. Isso, podem estar certos, acabou. A lógica não é outra senão a velha conhecida reverência ao capital, travestida agora sob vários estandartes forjados, não se enganem.
Essa realidade não é so brasileira, é uma realidade do nossos sistema capitalista, ninguém ajuda de graça, nenhuma empresa faz caridade por ter um bom coração... o consumo e o lucro por ele gerado são sempre o fim de tudo e por mais que o capital passe na mão de muitos sempre termina em poder do mesmo velho grupo de antigos senhores conservadores, responsáveis pela nossa escravidão financeira, ideológica e moral...
ResponderExcluirO gran problema realmente é conjuntural. Não adianta dizer hoje, que isto ou aquilo é culpa de alguém. Deve-se voltar na história para saber a dimensão e origem do problema. Visto isso, ainda tem o "fazer política" que é tão complexa: para aprovar tal projeto de lei, um refresco para gargantas sedentas tem que ser liberado, caso contrário não há apoio nem dos próprios membros do partido (inacreditavelmente), que dirá da base aliada e a oposição? Ainda há a ganância pelo dinheiro que certamente é umas das raízes de todos os males e cega os incautos, ou nem tão incautos assim...
ResponderExcluirOutra coisa que me ocorreu é como seria ou será o Direito e sua aplicação, estando o país nos moldes do socialismo, apesar desse regime ser principalmente econômico, com certeza mudaria uma sociedade em todos os aspectos, ja que o lucro deixaria de ser o objetivo.