Vi uma entrevista no Blog do Professor José Luiz Quadros e conclui que de fato ela é muito interessante e de um relevo absurdo e não pude deixar passar, não pelo que ele diz em si, mas pelos desdobramentos extraídos do que diz. Confiram abaixo parte da entrevista com o sociólogo norte americano Immanuel Wallerstein e o comentário que fiz logo após.
(para conhecer um pouco da biografia do entrevistado, clique aqui e pra ler a entrevista completa, clique aqui.)
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--FIM-- Pois bem, meus caros leitores, a história, como sempre defendi, é composta por ciclos que se iniciam e, fatalmente, terminam. O obstáculo maior para se enxergar a ciclicidade, não importando se ela é política, econômica, social ou de qualquer outra ordem é que os ciclos são longos e a vida, curta. Portanto, todos os habitantes da face dessa terra já nasceram incrustados nesse sistema capitalista e a maioria de nós, meros mortais, acredita na sua eternidade. Mas nenhum sistema é eterno, e tenham certeza de que este sociólogo (que ironicamente é norte-americano) está correto. O sistema capitalista terá um fim, cedo ou tarde. Isso é fato incontroverso. Por isso o que quero discutir aqui são os desdobramentos deste final: Primeiro, o sistema que o sucederá. Realidade já apontada pelo sociólogo e que nos causa grande angústia interior. O sistema seguinte pode ser melhor, mais efetivamente democrático,humano e moral, ou pode ser pior, mais explorador e excludente. A História vem nos mostrando o quanto o povo tem poder para mudar os cursos de rumo. O moribundo sistema atual nasceu de uma revolução de burgueses insatisfeitos com o Antigo Regime (burgueses estes que não eram nem a maioria e nem os mais poderosos, mas que assim se tornaram pela simples força da vontade ou obstinação, que os levaram a agir, a fazer alianças com as massas quando lhes foi conveniente e com as elites quando foi igualmente conveniente). Agora, um maior número de pessoas tem acesso à educação e expressão de pensamentos, por isso a substituição do capitalismo (que se dará de forma sutil, e não revolucionária como queria Marx) poderá ser como quisermos. E devemos querer pender para o lado menos explorador, mais humano e mais moral, pois assim será se realmente o fizermos. As oligarquias que dominam a economia mundial não vão querer deixar o poder, mesmo que o sistema mude. Elas intencionarão ficar no poder e continuar explorando uma massa em prol de uns poucos e não poderemos permitir um fato tal, já o permitimos por mais de 500 anos. Muitos dos que estão entre nós nem sequer notariam essa mudança se ela acontecesse hoje, e é aí que se esconde o maior perigo dessa transição. Por isso escrevo, quero alertar, acordar e incitar vocês que leem, para que o progresso se dê à nossa maneira, e não à maneira dos velhos oligarcas, liberais e corporocratas que já criaram limo no poder. | |||||||||
Em segundo lugar quero pontuar um desdobramento não citado pelo sociólogo, mas que trago à tona: Os atuais detentores do poder e os capitalistas por excelência certamente tentarão salvar o sistema a todo custo. Certamente. Eles intensificarão seus métodos de controle e influência de massa, se infiltrarão mais ainda nos governos e se não arrisco muito, digo que tentarão dar golpes e reinstituir velhas práticas liberais (e liberais mesmo, nos moldes do século XIX). Devemos ficar atentos, e mais uma vez apelo ao uso consciente do instrumento do voto. Escolham bem seus candidatos, conte o que sabe a outras pessoas e não vamos deixar que esse projeto de restauração vingue. O estado social enquanto diretriz política se desenvolve bem e começa a atender o momento histórico. Fato é que ainda faltam alguns aperfeiçoamentos. Todavia, o capitalismo enquanto diretriz econômica já está absolutamente ultrapassado. Ele surgiu para atender aos interesses de uma minoria (burguesia). Hoje, este conceito de minorias controlando maiorias já é obsoleto. Precisamos de um sistema econômico que atenda às maiorias enquanto abrange paralelamente os interesses das minorias e que o dinheiro deixe de ser o fator preponderante na vida das pessoas. Que a intelectualidade passe a valer mais, que ideias tenham mais espaço que dinheiro e que as pessoas se meçam pelas virtudes, como gostariam os velhos filósofos gregos e que a minoria tenha real espaço para manifestação de suas alternatividades (para contrariar o determinismo tocquevilliano). Que a concorrência continue a existir, como forma de garantir inovações, assim como o próprio mérito (afasto agora qualquer sonho falido de socialismo), mas que os derrotados tenham acesso a mecanismos de restruturação, porque como disse Ford em certa ocasião "o fracasso é uma oportunidade para começar de novo, desta vez de forma mais inteligente". Por hoje, meu recado é este. |
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