Venha, vamos ser descontentes também.

Sair do lugar comum, da informação pronta, do receber tudo na mão é obrigação nossa como cidadãos. Somos nós quem regemos o mundo, e não os políticos. Eles estão lá para trabalhar para nós e não o oposto.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

14. Tô assentado e só vou esticar meu braço até onde ele for.

O Brasil figura hoje entre as nações mais assistencialistas do mundo, principalmente depois da ascensão da legenda dos Trabalhadores ao Poder Executivo em 2003 com a eleição de Luiz Inácio 'Lula' da Silva. Muitos programas sociais foram desenvolvidos e o são até hoje, uma vez que a legenda ainda ocupa o Executivo. O carro chefe deles, quem não se lembra, foi o Programa Fome Zero (PFZ), criado sob a declaração presidencial: "Quero ver todo brasileiro fazendo três refeições ao dia".



Muitos programas vingaram, muitos foram sendo agregados uns aos outros, dando origem a novos e muitos foram apropriações arrojadas do governo FHC. Mas esse não é o mérito da questão. Atualmente, no governo Rousseff, um novo programa foi criado, o "Brasil sem miséria", mais um programa social que almeja a erradicação de pessoas da faixa social considerada como miseráveis ( rendimento per capita de até R$70 ). O mérito da questão está na declaração do Senador Cristovam Buarque hoje à Rádio Senado: "A avaliação desse primeiro ano da campanha 'Brasil sem miséria' permite uma reflexão no sentido de que nós estamos no caminho da generosidade mas, no ponto de vista de transformação social, não estamos avançando, porque a transferência de renda mantem a pessoa viva e isso já é muito, mas não tira a pessoa da miséria. Precisamos avançar".


Depois de nove anos de programas assistenciais se cria um espaço para a reflexão sobre os mesmos. A fala do Senador é de grande valia para orientar nossos questionamentos. Transferir renda, para as contas das famílias carentes não é o suficiente. É de grande importância, mas não é tudo e o Governo Federal não deve se restringir a esse cômodo esforço. Programas complementares devem ser adotados, como a "Orientação profissional" e o "Fomento às atividades agrícolas" já prometidos pelo Executivo. Ambas fornecem meios para que as famílias de baixa renda se sustentem e possam poupar. Por enquanto os atingidos pela miséria e pelos programas sociais apenas "sobrevivem", como dito pelo Senador. Os programas são de fundamental importância, visto que é a partir deles que existirá a chance real de transformação social. Subsídios federais no sentido de favorecer a produção agrícola familiar e a promoção da inserção dos jovens de baixa renda no sistema de ensino e no mercado de trabalho é que serão os mecanismos garantidores da erradicação da miséria.

A crítica aqui não é no sentido de uma ação governamental equivocada, mas sim uma ação incompleta, que carece de ações complementares. Ações essas que podem ser defendidas por nós e que nós devemos ficar atentos. Tomar cuidado com as propagandas institucionais e com quem elegeremos. Até porque governo esperto não faz propaganda contra si...