Venha, vamos ser descontentes também.

Sair do lugar comum, da informação pronta, do receber tudo na mão é obrigação nossa como cidadãos. Somos nós quem regemos o mundo, e não os políticos. Eles estão lá para trabalhar para nós e não o oposto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

5. Estrelando: O Grande Capital.

Pergunta direta: Quem rege ou lidera o Brasil? Ou a Argentina, Alemanha, França, Portugal e qualquer outro país do mundo? Os políticos, é claro. Claro que não. Aliás, não tão claro assim...

O Liberalismo econômico já vinha sendo teorizado e timidamente aplicado há por volta de 300 anos nos países europeus, ganhando, todavia, popularidade somente no século XIX. As monarquias absolutas iam caindo aqui e ali, os Estados nacionais modernos iam-se formando em substituição, a democracia ia se consolidando. Tudo isso às custas da burguesia rica e sedenta de poder. Conclusão: os primeiros políticos do Estado moderno foram burgueses preocupados não com o bem público e com a essência da política. Os primeiros políticos foram burgueses que jamais esqueceram o único objetivo do qual todo burguês compartilha: o lucro. Prova disso é a história do direito ao sufrágio: Voto como forma de representação popular é característica fundamental de democracia. A história da democracia no mundo começou com os burgueses, logo, a princípio, só podiam votar e ser votados os cidadãos nacionais brancos, do sexo masculino com uma determinada renda. Nesse primeiro período grandes proprietários, mesmo que analfabetos, podiam votar. Mulheres, crianças, negros e pobres, que constituíam a maior parcela da população, não podiam votar. Exemplo disso é a França revolucionária, que em 1795, depois de todos os esforços populares para extinguir o absolutismo (e com sucesso) e mesmo com a proclamação do voto universal pelo governo provisório dos jacobinos, teve o voto censitário restaurado pelos burgueses do Diretório. Mais tarde, no Brasil em 1891, o voto foi estendido a todos os cidadãos nacionais do sexo masculino, sem distinção de renda.  Foi a época do voto de cabresto. Só em 1932 o Brasil venceu as discriminações e o voto passou a ser secreto e obrigatório para "cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo" como trazia redigido a Constituição Federal da época de Getúlio Vargas. Então, depois de uns duzentos anos de luta, venceu-se, enfim, a burguesia.

Leu a última frase do último parágrafo? Concordou? Releia-a. Continua concordando? Então viva a burguesia que acabou de vencer mais um cidadão.

Caro leitor, a burguesia está no controle da situação política desde as primeiras revoluções burguesas europeias, no entanto, agora, seu interesse não é mais aparecer no primeiro plano político mas comandá-lo e orquestrá-lo dos bastidores. Até seu nome mudou, não se chama mais burguesia, aliás, possui vários codinomes: grandes empresários, elite empresarial, donos de grandes empresas, magnatas das telecomunicações, dos combustíveis, da construção civil e muitos outros.  Nosso modelo político formal consagrado na Constituição Federal é a República Federativa constituída em um Estado Democrático de Direitos. Nosso modelo político prático, assim como o da maioria dos países capitalistas desse mundo é a Corporatocracia (ou Corporocracia). Esse sistema de nome estranho não pode ser chamado de político porque é um sistema pseudo-político que deve, necessariamente, se travestir de qualquer modelo político existente para se esconder e agir. Por definição, Corporatocracia (expressão cunhada pelo Global Justice Movement) é a palavra que designa o governo de uma sociedade que é capturada por pessoas que tomam decisões favoráveis às grandes corporações. Ou seja, é o governo trabalhando para o Grande Capital e abandonando a coisa pública. Como assim? Quem financia as campanhas políticas multimilionárias dos políticos? As grandes corporações. E elas não estão interessadas apenas na ideologia defendida pelo candidato ou partido político. Elas querem favores em troca. E é o que acontece não só lá no estrangeiro, como aqui também. A empresa CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim conseguiu que o Presidente da República baixasse em 2008 um decreto (D6640/08) permitindo a destruição de cavidades naturais subterrâneas (cavernas) que anteriormente eram consideradas, independentemente do grau de importância de qualquer uma, patrimônio cultural brasileiro. Tudo porque o grupo necessitava alagar uma região de cavernas para criar uma hidrelétrica. E no site do grupo Votorantim ainda é possível ler: "A Votorantim entende que o financiamento privado de campanhas políticas é importante para a legitimidade do processo eleitoral e para o fortalecimento das instituições, dentro dos limites da lei e com critérios objetivos de transparência e ética"¹ - comentários se fazem desnecessários. A Coteminas financia o PT desde 2004 e é sua maior credora. O atual presidente da empresa, Josué Gomes da Silva, declarou certa vez: "as empresas podem e devem participar da vida política brasileira". Não discordo dele, somente se a participação se der de maneira desinteressada, e há de se convir que burguês não dá ponto sem nó. Ou seja, não toma nenhuma atitude que não venha trazer retorno para si. Só pra lembrar, o ex-presidente da empresa era o finado José de Alencar, ex-vice presidente da República, que conseguiu, milagrosamente, junto ao governo norte americano, a criação da zona franca do Haiti em 2007, que entre outras vantagens, garante a produção de têxteis, chapéus e pijamas com um valor de mão de obra reduzido à metade e exportação para os E.U.A. livre de impostos. Coincidência?
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Esse vídeo ajuda a compreender de forma mais clara a corporatocracia: "O governo das grandes empresas"


terça-feira, 27 de setembro de 2011

4. Consciência coletiva política apreçada.

De 1964 a 1985 o Brasil viveu um período de grande agitação política, por quê? Resposta pronta: Porque havia opressão (leia-se aqui perseguições, prisões e promulgação de leis - tudo de forma arbitrária), supressão da liberdade e de direitos. Porém, como em Yin e Yang, todo mal contem em si algum bem. Nesse caso, o bem era a preocupação geral e o elevado nível de consciência da população com a política. Em cafés, universidades, bares, esquinas, portas de casas e rodas de conversa nas praças o assunto era o mesmo: a ditadura militar e como combatê-la. Não se falava ou se pensava em outra coisa. Os intelectuais, os universitários, os partidários da oposição e tantas outras pessoas. Mas, em suma, qual a necessidade de se combater a ditadura, que já vinha realizando proezas no campo econômico, ostentando um crescimento de 12% ao ano e empreendendo importantes obras públicas como a usina hidrelétrica Itaipu, a rodovia Transamazônica e a ponte Rio-Niterói que além dos benefícios que trariam por si só, deram emprego a milhões de pessoas? Não havia liberdade, o povo vivia oprimido, além da inflação na casa dos 18 pontos percentuais comer todo o salário desses brasileiros. Aprendam hoje: Tirar a liberdade e mexer no bolso de qualquer ser humano é riscar um fósforo. Fazer o mesmo com muitos, ao mesmo tempo, é acender uma bomba. Mais provas nacionais? Collor. Foi deposto por causa da espiral insustentável e insuportável de inflação, além do famigerado confisco das poupanças, que foi o estopim para que o movimento pró-impeachment ganhasse força nas ruas. Exemplos internacionais? Chile, 1973. O golpe de estado do então general Augusto Pinochet só encaixou e teve aceitação popular porque os anos de inflações monstruosas tinham esgotado a população. No ano do golpe, porém antes do mesmo (que se deu em 11 de setembro de 1973) a inflação bateu em três dígitos, chegando à marca dos 606%. Outro exemplo internacional? Vou dar um bem clichê: Alemanha pós primeira guerra mundial. Desemprego e miséria por um lado, inflação por volta de 1923 variando em um trilhão porcento por outro. Alimento e fermento para o partido nazista conseguir adeptos facilmente e ser apoiado incondicionalmente. Além disso, o Tratado de Versalhes tirou toda a liberdade do Estado alemão também - mais um motivo de revolta para o povo.

Acho que meu recado está claro. Se há restrições à liberdade e/ou agressões graves contra a economia do povo, há revolta, há dissensões e não há governo que se sustente. Todavia, se as liberdades individuais e coletivas são garantidas e a economia vai bem, a maior parcela da população simplesmente não liga para o que acontece no poder. Como disse em outra postagem "tudo o que falta é consciência". E ao que parece, essa consciência coletiva só é despertada em situações bem específicas. Agora reflitam: o governo do estado de Minas Gerais garante liberdade individual, censurando a liberdade de expressão dos meios de comunicação mais evidentes de forma magistral, sem que a população como um todo perceba. O estado de Minas Gerais também possui uma economia sólida (a terceira maior em âmbito nacional), no entanto tem perseguido o professorado de forma insana e sem explicação, violando até uma lei federal (L 11.738/08) - o que é um cúmulo em um estado democrático de direitos como o nosso - e o povo? O povo vai bem, com economia estável e liberdade pra fazer o que quiser. Preciso dizer algo mais para sustentar minha tese?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

3. "Vamos fazer nosso dever de casa / e aí então vocês vão ver..."

Há muitos e muitos anos, numa cidadezinha pequena do velho continente, surgiu um trio de amigos que se preocupava muito com a organização de se sua cidade. Se preocuparam tanto que foram crescendo e escrevendo livros, versando sobre esta organização. A esta organização deram nome de Política - Que significa aquilo que é relativo à polis (cidade), que é público. Eles gostavam muito de discutir entre si e com qualquer um que se propusesse a realmente debater. Deixaram para nós valiosas obras e rico conhecimento em matéria de organização sócio-política. Se você ainda não sabe de quem estou falando, apresento-lhes o trio Sócrates, Platão e o gaguinho Aristóteles. O conjunto de suas obras (que não vou explicar e muito menos detalhar porque isso aqui não é nem aula de história e muito menos de filosofia), nos ensina muito sobre a ação política do cidadão em sua cidade. O mais importante ensinamento que fica deles, que viveram há mais de dois milênios, é que o fazer político é um fazer que deve visar o bem da comunidade, é um fazer que deve visar o benefício público e não atender aos interesses particulares daquele (ou daqueles) que está no poder. Quem detivesse o poder político, deveria representar o interesse comum, a vontade geral e não o interesse e a vontade do grupo de onde aquele governante saiu. Nenhum governo deveria guiar-se por coisa alguma a não ser a vontade do povo. Mais do que isso, o interesse pelo bem público não caberia apenas aos governantes, mas também a todo integrante da cidade (leia-se aqui estado e país também). O povo deveria debater os rumos, opinar e eleger os assuntos de maior relevância para a cidade, assuntos esses que seriam colocados em prática pelo detentor do poder político. Era assim que esse trio enxergava o futuro da democracia. Belo, não? Não só belo, como razoável, desejável e praticável. Parece com o nosso modelo de governo atual? Um leitor que não pensar pode responder que sim, e ainda argumentar que temos uma democracia. Estaria ele certo?

Hora dessas, Sócrates e companhia devem estar de bruços no caixão, de tanto remexer. Destorceram nossa democracia! Mantiveram o elemento mais evidente, que é a "participação" popular na eleição dos governantes e conseguiram alienar o povo sobre o restante (que diga-se de passagem é mais importante). Hoje quem dita os rumos da nação é o grande capital, os governos se submetem aos interesses das grandes corporações como se subordinados pela lei devessem ser a elas e a população está em um grau de alienação política tal que o voto tem de ser obrigatório sob pena de menos de metade da população querer votar. O argumento? "Políticos são corruptos, não dá pra mudar, tenho nojo de política". Caros amigos, é agora que é a hora de mostrar nosso potencial enquanto povo, enquanto cidadãos. Atinar para política e fazer valer a participação popular. Dispositivos constitucionais garantem a nós a possibilidade de exigir desempenho dos nossos políticos, de acompanhar e averiguar e a exemplo de 1992, podemos (ah! e como podemos) colocar e tirar quem quisermos do poder. Se algo vai mal, damos a chance de se acertar, se não se acerta, se muda! Como é que Fernando Collor de Mello conseguiu voltar ao cenário político? E como José da Costa Sarney não sai de lá, se sabemos todos de suas falcatruas? Pode-se demonstrar o nojo e a aversão ao cenário político atual mobilizando os setores da sociedade e como médicos, ir queimando esses cânceres que adoecem tão glorioso fazer que é a Política.

Tudo o que falta é consciência. Tudo. O poder alienador estatal (motivado, é claro, pelos interesses próprios de quem está no poder) lobotomizou por décadas os cidadãos. Chamam o período pós-ditadura de redemocratização porém, não ensinaram a ninguém o que é democracia, seu verdadeiro sentido e significado, sua real forma de aplicação. As escolas tem de ser inundadas de saber político, é preciso que se introjete desde cedo em nossas crianças a necessidade e a importância da Política (a verdadeira, não esse monstro que está aí hoje) para que ela seja purificada e Sócrates e seus amigos possam, enfim, descansar em paz. Onde estão "os filhos da revolução" cantados pela Legião Urbana? Se deixaram acomodar, não é? Pois é hora de sair do sono dogmático kantiano para que essa corja que usa o nome da sublime Política em vão veja, daqui a um pouco "suas crianças derrubando reis / fazer comédia no cinema com as suas leis".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"Ideologia, eu quero uma pra viver..."

Peço licença ao bom e velho Cazuza para intitular este texto com uma paráfrase sua que expressa exatamente o que ele quer dizer nessa música: Não se vive sem acreditar em algo. Todos acreditamos, seja em Deus, seja numa força superior, seja na ciência... Não importa. O importante é que ninguém vive sem acreditar. Sabendo disso é que os governos do mundo inteiro, talvez bem antes de que pudéssemos conceber isso, já atinaram para a ideia de que uma boa propaganda faz a boa imagem até do assassino da mãe. Depois que a caixinha mágica chamada televisão apareceu então, aí que essa máxima de "a propaganda é a alma dos negócios" virou verdade incontestável e absoluta. Quem não se recorda, nesse momento, de ao menos uma propaganda, por mais inútil que seja, seja de sabão em pó, de tempero pronto, de carro, de filme... ao menos uma, tenho certeza de que será capaz de se lembrar. Pois é, eu quero te convidar agora a fazer uma breve reflexão comigo sobre o potencial dessas propagandas, é, essas mesmo, que te levam a optar pelo macarrão A ou pela lã de aço B e que introjetam valores, expectativas e sentimentos em nós, sem que nós ao menos sejamos capazes de nos darmos conta disso.
A televisão exerce fascínio tal sobre nós outros que quando novos acreditamos em tudo o que passa lá. É maravilhoso o mundo que ela oferece aos pequenos, não? Tanta distração, diversão. Eu mesmo passava horas a fio em frente a ela. Isso é um problema? Não, desde que os pais eduquem seus filhos sobre o que é adequado ou não. O problema, então, vem a seguir: Quando viramos adultos, continuamos a acreditar. Só que quando adultos, já não nos importamos mais com desenhos animados e propagandas de carrinhos e bonecas. Nos importamos com o que fazem nossos políticos, com o futuro do nosso estado ou país, com a situação da cidade onde moram nossos entes queridos, com o sobe e desce da bolsa, dos juros, da inflação e com tantas outras coisas que realmente tem impacto sobre nosso cotidiano. Porém, quando deixamos a meninice e nos tornamos cidadãos, no sentido lato dessa palavra, ninguém nos lembra de que não devemos dar crédito a tudo o que vemos ou ouvimos e continuamos assim, colocando toda a fé do mundo nas belas palavras e imagens da televisão. Este é o problema, meus caros, este é o problema. Não quero que você gaste suas energias na frente de um comercial de massa de tomate querendo desvendar o que ele realmente quer dizer em suas entrelinhas, se é que há. Quero que você passe a se atentar mais para os programinhas institucionais, do governo federal ou do governo estadual. Quero que você passe a busca informação em meios alternativos aos usuais, vá assistir outro jornal, de outro estado, se possível. Vá comprar um jornal diferente do seu usual, de preferência de outro estado também, e vá ver o que se passa lá fora, no estrangeiro sobre seu país, sabe por que? Porque os governos manipulam (e manipulam mesmo!) a informação que vai atingir seu povo. O D.I.P. do Vargas exemplifica muito bem o que digo. Getúlio Vargas deu um golpe de estado, e usou a máquina pública, através do referido departamento para criar um mito em torno de sua figura, obrigando todo estabelecimento comercial a ter uma foto sua, criando o programa radiofônico "A Hora do Brasil" para se promover em rede nacional, todos os dias entre diversas outras medidas. Impôs uma ditadura, censurou livros, músicas e filmes e ainda criou uma imagem de político semi-deus, "pai do pobres". Pouquíssimos dos que viveram naquela época sabem que viveram num período ditatorial. Mas a oposição existia, e fazia panfletos e jornais, descreditados pela parcela majoritária da população por não ser de fonte "oficial". Ressalte-se que "oficial" não é sinônimo nem de "verdadeiro" e nem de "confiável". E quero finalizar dizendo que esse tempo não acabou. Mudaram os figurões políticos e as estratégias de propaganda. Mas governo que é governo, não fala mal de si. Você é mineiro? Mineiro de verdade? Assista televisão, de preferência os telejornais e me diga quem é o errado na história dos professores. Depois procure informações da oposição, confronte as duas e volte para me dizer quem tem argumentos mais sólidos e quem é o errado. Serão os baderneiros que atrapalham o trânsito e deixam os alunos prestes a prestar vestibular sem aulas ou o governo covarde que não cumpre determinação federal e não tem virtude alguma para negociar ?
Ah, já viram as novas propagandas do governo se exaltando por estar facilitando a educação através de novíssimos computadores? A propaganda termina assim: "Mais um motivo pra se ter orgulho de Minas Gerais" - ou algo parecido com isso. É essa falácia que passa lá fora e aqui dentro das nossas casas.

"...acredite em metade das coisas que vê e em nada daquilo que escuta."

sábado, 17 de setembro de 2011

É importante tirar o pedaço de pau do próprio olho antes de se preocupar com o cisco do olho do outro.

O mundo inteiro tem passado por crises, levantes e revoltas populares. Os países mais ricos enfrentam o caos econômico - o colapso do famigerado sistema neoliberal -, enquanto os países mais pobres tem tido graves problemas de ordem política - derrubada de líderes e intensa guerra civil -. O mundo está em um momento mágico de transformações, transformações essas que empurrarão o mesmo para uma nova era, um novo momento histórico. Um momento de reorganização político-econômico. Isso tudo é muito bonito, é claro. Porém, um leitor desavisado poderá pensar assim: "Mas e nossa bela nação? Nada está acontecendo aqui. Estamos atrasados? Ou muito à frente de nosso tempo?". Digo-lhes, caros leitores, muita coisa tem acontecido aqui. Como somos noticiados dos acontecimentos estrangeiros? Mídia, é claro. E dos acontecimentos nacionais? Mídia, é claro.
Alguém que lê este texto realmente acredita na independência dos meios midiáticos mais conhecidos para dar notícia do mundo? Espero do fundo do meu coração que não. E espero mais piamente que não acreditem na independência e na idoneidade dos meios mais comuns para nos informar sobre nosso próprio país, especialmente sobre Minas Gerais.
O que me inspirou a escrever hoje é a ignorância. Mas não é a ignorância voluntária. É a ignorância provocada. Quem vive em Minas está sujeito a esta ignorância. Quem anda lendo Estado de Minas e assistindo os noticiários da Rede Globo mais ainda (o que não exclui as outras). A censura velada exercida pelo Excelentíssimo Governador do Estado é assustadora. Quem viu na televisão ou leu em algum jornal mineiro que o movimento grevista da educação é algo totalmente legítimo, que deve continuar e que deve ser apoiado? Ninguém, não é? É a censura, meus caros. O governador não quer que saibamos que ele descumpre uma lei federal em vigor desde 2008. Ele quer massacrar o movimento, conseguindo apoio popular, nem que para isso ele tenha de mentir ou coagir os meio que, a princípio, deveriam nos alertar, vigiando as atitudes do governo.
É hora de acordar !
Sabe qual a diferença deste governo para o governo ditatorial que vigorou no Brasil de 64 a 85? A farda. Aqueles, de outrora, usavam farda. Este, não. Já faz 100 dias que a greve começou. Já é a greve mais extensa da história de Minas Gerais. E ela não pode parar enquanto o governo não cumprir a lei. O governo também tem usado arapongas para coibir e vigiar as ações (constitucionais, diga-se de passagem) do SindUTE. É a volta do estado policial, é a ofensa mais descarada aos princípios democráticos. Vamos continuar permitindo? Vamos nos atentar para as mazelas da própria casa antes de nos preocuparmos com as casas de nossos vizinhos.

Fora o supradito, há milhares de irregularidades na contratação de serviços e execução dos mesmos nos serviços da Copa em Belo Horizonte, mas isso é assunto para outra postagem.

Confiram a Lei 11.738/08 do piso salarial dos profissionais da educação: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11738.htm

Confiram também a arapongagem tucana em ação:
http://www.youtube.com/watch?v=8KFlO2cgY4Q
(A placa do carro é de consulta restrita no Detran, ou seja, o carro ou é da PM ou é da PC. Dúvidas, confiram no próprio site do Detran. A placa é HCN9518).

E não deixem de visitar e ler o MOVIMENTO MINAS SEM CENSURA: http://www.minassemcensura.com.br/