Pergunta direta: Quem rege ou lidera o Brasil? Ou a Argentina, Alemanha, França, Portugal e qualquer outro país do mundo? Os políticos, é claro. Claro que não. Aliás, não tão claro assim...
O Liberalismo econômico já vinha sendo teorizado e timidamente aplicado há por volta de 300 anos nos países europeus, ganhando, todavia, popularidade somente no século XIX. As monarquias absolutas iam caindo aqui e ali, os Estados nacionais modernos iam-se formando em substituição, a democracia ia se consolidando. Tudo isso às custas da burguesia rica e sedenta de poder. Conclusão: os primeiros políticos do Estado moderno foram burgueses preocupados não com o bem público e com a essência da política. Os primeiros políticos foram burgueses que jamais esqueceram o único objetivo do qual todo burguês compartilha: o lucro. Prova disso é a história do direito ao sufrágio: Voto como forma de representação popular é característica fundamental de democracia. A história da democracia no mundo começou com os burgueses, logo, a princípio, só podiam votar e ser votados os cidadãos nacionais brancos, do sexo masculino com uma determinada renda. Nesse primeiro período grandes proprietários, mesmo que analfabetos, podiam votar. Mulheres, crianças, negros e pobres, que constituíam a maior parcela da população, não podiam votar. Exemplo disso é a França revolucionária, que em 1795, depois de todos os esforços populares para extinguir o absolutismo (e com sucesso) e mesmo com a proclamação do voto universal pelo governo provisório dos jacobinos, teve o voto censitário restaurado pelos burgueses do Diretório. Mais tarde, no Brasil em 1891, o voto foi estendido a todos os cidadãos nacionais do sexo masculino, sem distinção de renda. Foi a época do voto de cabresto. Só em 1932 o Brasil venceu as discriminações e o voto passou a ser secreto e obrigatório para "cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo" como trazia redigido a Constituição Federal da época de Getúlio Vargas. Então, depois de uns duzentos anos de luta, venceu-se, enfim, a burguesia.
Leu a última frase do último parágrafo? Concordou? Releia-a. Continua concordando? Então viva a burguesia que acabou de vencer mais um cidadão.
Caro leitor, a burguesia está no controle da situação política desde as primeiras revoluções burguesas europeias, no entanto, agora, seu interesse não é mais aparecer no primeiro plano político mas comandá-lo e orquestrá-lo dos bastidores. Até seu nome mudou, não se chama mais burguesia, aliás, possui vários codinomes: grandes empresários, elite empresarial, donos de grandes empresas, magnatas das telecomunicações, dos combustíveis, da construção civil e muitos outros. Nosso modelo político formal consagrado na Constituição Federal é a República Federativa constituída em um Estado Democrático de Direitos. Nosso modelo político prático, assim como o da maioria dos países capitalistas desse mundo é a Corporatocracia (ou Corporocracia). Esse sistema de nome estranho não pode ser chamado de político porque é um sistema pseudo-político que deve, necessariamente, se travestir de qualquer modelo político existente para se esconder e agir. Por definição, Corporatocracia (expressão cunhada pelo Global Justice Movement) é a palavra que designa o governo de uma sociedade que é capturada por pessoas que tomam decisões favoráveis às grandes corporações. Ou seja, é o governo trabalhando para o Grande Capital e abandonando a coisa pública. Como assim? Quem financia as campanhas políticas multimilionárias dos políticos? As grandes corporações. E elas não estão interessadas apenas na ideologia defendida pelo candidato ou partido político. Elas querem favores em troca. E é o que acontece não só lá no estrangeiro, como aqui também. A empresa CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim conseguiu que o Presidente da República baixasse em 2008 um decreto (D6640/08) permitindo a destruição de cavidades naturais subterrâneas (cavernas) que anteriormente eram consideradas, independentemente do grau de importância de qualquer uma, patrimônio cultural brasileiro. Tudo porque o grupo necessitava alagar uma região de cavernas para criar uma hidrelétrica. E no site do grupo Votorantim ainda é possível ler: "A Votorantim entende que o financiamento privado de campanhas políticas é importante para a legitimidade do processo eleitoral e para o fortalecimento das instituições, dentro dos limites da lei e com critérios objetivos de transparência e ética"¹ - comentários se fazem desnecessários. A Coteminas financia o PT desde 2004 e é sua maior credora. O atual presidente da empresa, Josué Gomes da Silva, declarou certa vez: "as empresas podem e devem participar da vida política brasileira". Não discordo dele, somente se a participação se der de maneira desinteressada, e há de se convir que burguês não dá ponto sem nó. Ou seja, não toma nenhuma atitude que não venha trazer retorno para si. Só pra lembrar, o ex-presidente da empresa era o finado José de Alencar, ex-vice presidente da República, que conseguiu, milagrosamente, junto ao governo norte americano, a criação da zona franca do Haiti em 2007, que entre outras vantagens, garante a produção de têxteis, chapéus e pijamas com um valor de mão de obra reduzido à metade e exportação para os E.U.A. livre de impostos. Coincidência?
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Esse vídeo ajuda a compreender de forma mais clara a corporatocracia: "O governo das grandes empresas"
Isto ai meu caro. E por ai vai a Educação, a Saúde, etc... Viva a Burguesia! Este é o nosso mundo. Sem solução! Não querendo ser pessimista mas o ser humano é lobo de si mesmo. Enquanto os valores materiais e o "progresso" forem molas propulsoras da humanidade, continuaremos sem solução! Continuaremos rumo à escassez, à derrocada completa...
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