Venha, vamos ser descontentes também.

Sair do lugar comum, da informação pronta, do receber tudo na mão é obrigação nossa como cidadãos. Somos nós quem regemos o mundo, e não os políticos. Eles estão lá para trabalhar para nós e não o oposto.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

3. "Vamos fazer nosso dever de casa / e aí então vocês vão ver..."

Há muitos e muitos anos, numa cidadezinha pequena do velho continente, surgiu um trio de amigos que se preocupava muito com a organização de se sua cidade. Se preocuparam tanto que foram crescendo e escrevendo livros, versando sobre esta organização. A esta organização deram nome de Política - Que significa aquilo que é relativo à polis (cidade), que é público. Eles gostavam muito de discutir entre si e com qualquer um que se propusesse a realmente debater. Deixaram para nós valiosas obras e rico conhecimento em matéria de organização sócio-política. Se você ainda não sabe de quem estou falando, apresento-lhes o trio Sócrates, Platão e o gaguinho Aristóteles. O conjunto de suas obras (que não vou explicar e muito menos detalhar porque isso aqui não é nem aula de história e muito menos de filosofia), nos ensina muito sobre a ação política do cidadão em sua cidade. O mais importante ensinamento que fica deles, que viveram há mais de dois milênios, é que o fazer político é um fazer que deve visar o bem da comunidade, é um fazer que deve visar o benefício público e não atender aos interesses particulares daquele (ou daqueles) que está no poder. Quem detivesse o poder político, deveria representar o interesse comum, a vontade geral e não o interesse e a vontade do grupo de onde aquele governante saiu. Nenhum governo deveria guiar-se por coisa alguma a não ser a vontade do povo. Mais do que isso, o interesse pelo bem público não caberia apenas aos governantes, mas também a todo integrante da cidade (leia-se aqui estado e país também). O povo deveria debater os rumos, opinar e eleger os assuntos de maior relevância para a cidade, assuntos esses que seriam colocados em prática pelo detentor do poder político. Era assim que esse trio enxergava o futuro da democracia. Belo, não? Não só belo, como razoável, desejável e praticável. Parece com o nosso modelo de governo atual? Um leitor que não pensar pode responder que sim, e ainda argumentar que temos uma democracia. Estaria ele certo?

Hora dessas, Sócrates e companhia devem estar de bruços no caixão, de tanto remexer. Destorceram nossa democracia! Mantiveram o elemento mais evidente, que é a "participação" popular na eleição dos governantes e conseguiram alienar o povo sobre o restante (que diga-se de passagem é mais importante). Hoje quem dita os rumos da nação é o grande capital, os governos se submetem aos interesses das grandes corporações como se subordinados pela lei devessem ser a elas e a população está em um grau de alienação política tal que o voto tem de ser obrigatório sob pena de menos de metade da população querer votar. O argumento? "Políticos são corruptos, não dá pra mudar, tenho nojo de política". Caros amigos, é agora que é a hora de mostrar nosso potencial enquanto povo, enquanto cidadãos. Atinar para política e fazer valer a participação popular. Dispositivos constitucionais garantem a nós a possibilidade de exigir desempenho dos nossos políticos, de acompanhar e averiguar e a exemplo de 1992, podemos (ah! e como podemos) colocar e tirar quem quisermos do poder. Se algo vai mal, damos a chance de se acertar, se não se acerta, se muda! Como é que Fernando Collor de Mello conseguiu voltar ao cenário político? E como José da Costa Sarney não sai de lá, se sabemos todos de suas falcatruas? Pode-se demonstrar o nojo e a aversão ao cenário político atual mobilizando os setores da sociedade e como médicos, ir queimando esses cânceres que adoecem tão glorioso fazer que é a Política.

Tudo o que falta é consciência. Tudo. O poder alienador estatal (motivado, é claro, pelos interesses próprios de quem está no poder) lobotomizou por décadas os cidadãos. Chamam o período pós-ditadura de redemocratização porém, não ensinaram a ninguém o que é democracia, seu verdadeiro sentido e significado, sua real forma de aplicação. As escolas tem de ser inundadas de saber político, é preciso que se introjete desde cedo em nossas crianças a necessidade e a importância da Política (a verdadeira, não esse monstro que está aí hoje) para que ela seja purificada e Sócrates e seus amigos possam, enfim, descansar em paz. Onde estão "os filhos da revolução" cantados pela Legião Urbana? Se deixaram acomodar, não é? Pois é hora de sair do sono dogmático kantiano para que essa corja que usa o nome da sublime Política em vão veja, daqui a um pouco "suas crianças derrubando reis / fazer comédia no cinema com as suas leis".

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