Peço licença ao bom e velho Cazuza para intitular este texto com uma paráfrase sua que expressa exatamente o que ele quer dizer nessa música: Não se vive sem acreditar em algo. Todos acreditamos, seja em Deus, seja numa força superior, seja na ciência... Não importa. O importante é que ninguém vive sem acreditar. Sabendo disso é que os governos do mundo inteiro, talvez bem antes de que pudéssemos conceber isso, já atinaram para a ideia de que uma boa propaganda faz a boa imagem até do assassino da mãe. Depois que a caixinha mágica chamada televisão apareceu então, aí que essa máxima de "a propaganda é a alma dos negócios" virou verdade incontestável e absoluta. Quem não se recorda, nesse momento, de ao menos uma propaganda, por mais inútil que seja, seja de sabão em pó, de tempero pronto, de carro, de filme... ao menos uma, tenho certeza de que será capaz de se lembrar. Pois é, eu quero te convidar agora a fazer uma breve reflexão comigo sobre o potencial dessas propagandas, é, essas mesmo, que te levam a optar pelo macarrão A ou pela lã de aço B e que introjetam valores, expectativas e sentimentos em nós, sem que nós ao menos sejamos capazes de nos darmos conta disso.
A televisão exerce fascínio tal sobre nós outros que quando novos acreditamos em tudo o que passa lá. É maravilhoso o mundo que ela oferece aos pequenos, não? Tanta distração, diversão. Eu mesmo passava horas a fio em frente a ela. Isso é um problema? Não, desde que os pais eduquem seus filhos sobre o que é adequado ou não. O problema, então, vem a seguir: Quando viramos adultos, continuamos a acreditar. Só que quando adultos, já não nos importamos mais com desenhos animados e propagandas de carrinhos e bonecas. Nos importamos com o que fazem nossos políticos, com o futuro do nosso estado ou país, com a situação da cidade onde moram nossos entes queridos, com o sobe e desce da bolsa, dos juros, da inflação e com tantas outras coisas que realmente tem impacto sobre nosso cotidiano. Porém, quando deixamos a meninice e nos tornamos cidadãos, no sentido lato dessa palavra, ninguém nos lembra de que não devemos dar crédito a tudo o que vemos ou ouvimos e continuamos assim, colocando toda a fé do mundo nas belas palavras e imagens da televisão. Este é o problema, meus caros, este é o problema. Não quero que você gaste suas energias na frente de um comercial de massa de tomate querendo desvendar o que ele realmente quer dizer em suas entrelinhas, se é que há. Quero que você passe a se atentar mais para os programinhas institucionais, do governo federal ou do governo estadual. Quero que você passe a busca informação em meios alternativos aos usuais, vá assistir outro jornal, de outro estado, se possível. Vá comprar um jornal diferente do seu usual, de preferência de outro estado também, e vá ver o que se passa lá fora, no estrangeiro sobre seu país, sabe por que? Porque os governos manipulam (e manipulam mesmo!) a informação que vai atingir seu povo. O D.I.P. do Vargas exemplifica muito bem o que digo. Getúlio Vargas deu um golpe de estado, e usou a máquina pública, através do referido departamento para criar um mito em torno de sua figura, obrigando todo estabelecimento comercial a ter uma foto sua, criando o programa radiofônico "A Hora do Brasil" para se promover em rede nacional, todos os dias entre diversas outras medidas. Impôs uma ditadura, censurou livros, músicas e filmes e ainda criou uma imagem de político semi-deus, "pai do pobres". Pouquíssimos dos que viveram naquela época sabem que viveram num período ditatorial. Mas a oposição existia, e fazia panfletos e jornais, descreditados pela parcela majoritária da população por não ser de fonte "oficial". Ressalte-se que "oficial" não é sinônimo nem de "verdadeiro" e nem de "confiável". E quero finalizar dizendo que esse tempo não acabou. Mudaram os figurões políticos e as estratégias de propaganda. Mas governo que é governo, não fala mal de si. Você é mineiro? Mineiro de verdade? Assista televisão, de preferência os telejornais e me diga quem é o errado na história dos professores. Depois procure informações da oposição, confronte as duas e volte para me dizer quem tem argumentos mais sólidos e quem é o errado. Serão os baderneiros que atrapalham o trânsito e deixam os alunos prestes a prestar vestibular sem aulas ou o governo covarde que não cumpre determinação federal e não tem virtude alguma para negociar ?
Ah, já viram as novas propagandas do governo se exaltando por estar facilitando a educação através de novíssimos computadores? A propaganda termina assim: "Mais um motivo pra se ter orgulho de Minas Gerais" - ou algo parecido com isso. É essa falácia que passa lá fora e aqui dentro das nossas casas.
"...acredite em metade das coisas que vê e em nada daquilo que escuta."
Não só na época de Vargas se viveu a ditadura da informação , mas atualmente , especialmente no Estado de Minas Gerais vive-se isso !Abra o jornal Estado de Minas , e procure quantas notícias falaram de improbidades públicas do governo do Estado , de que maneira retratam professores , os baderneiros,preguiçosos,descompromissados , e jamais educadores prejudicados pelo mísero salário, não vamos ser demagogos e dizer que a culpa é apenas do governo, mas que a oposição a ele não é feita é fato!
ResponderExcluirÉ por isso que se não buscarmos as informações das mais variadas fontes ficaremos a mercê de rede Bobo , e Estado de Minas , são nesse momentos que me questiono será mesmo que nós adultos deixamos de fato a meninice ? Ainda queremos tudo fácil , ainda buscamos o caminho mais curto ,ainda nos limitamos com informações .E isso é grave ? Gravíssimo , por essa meninice,quando negligenciamos informações , negligenciamos direitos deixamos então a criação de uma população cega e cada vez mais descrente , uma população de meus Guris como fala saudoso Chico Buarque que o guri Chega suado, veloz do batente, traz sempre um presente,tanta corrente de ouro Seu moço!Que haja pescoço Prá enfiar
Olha aí! Olha aí!
Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olhem AÍ !!! Não fechem os olhos , não cruzem os braços não permaneçam no caminho da meninice senão ela se transforma em uma meninice de pegar cordões! Olha aí ! Olha aí! Não crie mais meus Guris !
O mundo precisa, sim, de uma ideologia, esta desenvolvida conceitualmente por Gramsci como uma concepção de mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, nas atividades econômicas e em todas as manifestações da vida intelectual e coletiva. Os homens seduzidos pelo esplendor fetichista do capitalismo sofrem um processo de auto-alienação, que os tornam ovelhas, em um rebanho altamente homogeneizado, a que alguns se atrevem a chamar de corpo social. Os grandes senhores, como pastores, administram essa massa humana, a dirime, a castra, e a coloca em eixos inscritos no próprio interesse. Falta, sim, uma ideologia que desperte os homens desse estado letárgico, chamado por Kant de sonho dogmático, e se tornem sujeitos ativos, no sentido de construírem por si só as próprias ambições, estas dotadas de caráter social.
ResponderExcluir